
Respostas à demência são em muitos casos insuficientes e merecem reflexão
Como é natural, com o envelhecimento acentuado da população os médicos de família (MF) veem-se cada vez mais empenhados na identificação precoce, diagnóstico e acompanhamento da demência. Mas o que sabemos, com exatidão, sobre a prevalência da demência e sobre as estratégias mais eficazes para a sua prevenção? Como podemos melhor gerir os seus fatores de risco modificáveis e implementar alterações dos estilo de vida com real impacto sobre este problema de saúde pública? Que intervenção deveremos ter, por exemplo, relativamente aos sintomas não cognitivos, como agitação, apatia e depressão? Em que situações é fundamental referenciar? Esta e muitas outras questões pertinentes poderão ser debatidas na sessão ‘Demências nos Cuidados de Saúde Primários», a realizar no dia 28 de março, a partir das 16h15, com moderação de Madalena Leite Rio (Comissão Organizadora) e participação de Ana Verdelho (responsável pela Consulta de Demências da Unidade Local de Saúde Santa Maria), Conceição Balsinha (médica de família e investigadora do Comprehensive Health Research Center) e Manuel Gonçalves Pereira (psiquiatra, terapeuta familiar, com competência em Geriatria e docente da NOVA Medical School).
Segundo Manuel Gonçalves Pereira, a sessão em causa permitirá “discutir os resultados de estudos nacionais de base populacional, as estimativas existentes em termos de prevalência, custo e carga de doença, os principais fatores de risco de demência (com especial enfoque nos que são modificáveis, incluindo os determinantes cardiovasculares, a depressão ou a solidão) e as insuficiências das respostas, a nível dos serviços de saúde e sociais”.
Haverá também tempo para aflorar o tipo de apoio que é devido à família e aos cuidadores. “É mais difícil assegurar esse apoio, mesmo que apenas em parte, do que discorrer sobre as necessidades de cuidados, tão óbvias como prementes. A sessão abordará exemplos práticos, com aplicação no contexto dos cuidados de saúde primários. Um deles merecerá discussão específica: a família inclui (obviamente…) a pessoa com demência, sendo necessárias abordagens sistémicas e não apenas com os familiares cuidadores. Um outro exemplo, que pode parecer um lugar-comum, mas é frequentemente desvalorizado: para intervir temos primeiro de avaliar, sendo esta avaliação, desde logo, uma forma de intervir”, esclarece o psiquiatra.
Por outro lado, nos cuidados primários a gestão dos sintomas não cognitivos da demência é ainda uma área a melhorar e o docente da NOVA Medical School acredita que a partilha de experiências que terá lugar em Tróia poderá facilitar o progresso neste campo, sobretudo porque esta será eminentemente interativa: “esperamos que mereça a pena para quem se disponha a assistir. Deixando, de novo, um exemplo; confundir apatia com depressão e prescrever apressadamente um antidepressivo pode não ajudar e, até, acarretar riscos. É imperativo refletir sobre a atualização recente da Norma nº 53/2011 da DGS sobre a Abordagem Diagnóstica e Terapêutica do Doente com Declínio Cognitivo ou Demência”.